Deputado alerta para dificuldades enfrentadas no acesso às medidas de renegociação e defende crédito para garantir a produção na Safra 2026/27

A dificuldade para renegociar dívidas e acessar novos financiamentos preocupa produtores rurais às vésperas da Safra 2026/27. Mesmo após a edição da Medida Provisória nº 1.376/2026, que criou condições para a renegociação de determinadas operações de crédito rural, entidades representativas do setor relatam entraves na análise dos pedidos e restrições para novas contratações.

O deputado estadual Luis Corti (PSD) defende que as medidas anunciadas pelo governo federal tenham aplicação efetiva e cheguem a quem precisa reorganizar as contas para continuar produzindo.

“Não adianta existir uma renegociação no papel se o produtor chega ao banco e não consegue acessar. Estamos falando de gente que precisa organizar a dívida e, ao mesmo tempo, comprar insumos, preparar a propriedade e produzir a próxima safra. É uma questão de dar condições para que ele continue trabalhando”, afirma Luis Corti.

Publicada em julho, a MP nº 1.376/2026 prevê linhas para liquidação ou amortização de dívidas rurais e Cédulas de Produto Rural (CPRs), desde que atendidos os critérios estabelecidos pela medida. Entre as situações previstas estão perdas relacionadas a eventos climáticos e redução da renda da atividade rural em safras anteriores.

A preocupação, segundo o parlamentar, é que a demora ou as dificuldades de acesso à renegociação acabem comprometendo também o financiamento do próximo ciclo produtivo.

“O produtor não consegue trabalhar no escuro. Ele precisa saber como vai pagar a dívida, se terá crédito para plantar e quais serão as condições para continuar investindo. Sem previsibilidade, fica muito mais difícil planejar uma propriedade”, destaca o deputado.

Dívida renegociada, crédito para continuar produzindo

A renegociação dos passivos resolve apenas uma parte do problema. Para Luis Corti, é fundamental garantir que o produtor que se enquadre nas regras também tenha condições de recuperar sua capacidade de investimento e acessar recursos para continuar na atividade.

A própria MP estabelece que a contratação das linhas previstas na medida não deve, por si só, impedir o acesso a novas operações de crédito rural nem justificar a inclusão do beneficiário em cadastros restritivos.

O deputado defende que governo federal, órgãos responsáveis e instituições financeiras avancem na aplicação das regras para evitar que entraves operacionais prejudiquem quem depende do financiamento para iniciar uma nova safra.

“Quem está endividado não deixa de precisar plantar. A conta antiga precisa ser resolvida, mas também precisamos garantir condições para a próxima safra. Se o crédito não chega na hora certa, o problema deixa de ser apenas do produtor e começa a atingir toda a cadeia produtiva e a economia dos municípios”, afirma Luis Corti.

Previsibilidade também na hora de vender

A defesa de maior segurança financeira para quem produz também aparece na atuação do parlamentar na Assembleia Legislativa, especialmente na cadeia leiteira.

Luis Corti é autor do Projeto de Lei nº 417/2025, que busca dar mais transparência à relação comercial entre produtores e laticínios, com informação prévia sobre o valor a ser pago pelo leite. A proposta enfrenta uma reclamação recorrente no setor: o produtor entregar sua produção sem saber previamente quanto receberá.

“Não existe planejamento quando você produz primeiro e só depois descobre quanto vai receber. O produtor precisa ter clareza para calcular seus custos, organizar as contas e decidir quanto pode investir na propriedade”, afirma o parlamentar.

Outra iniciativa do deputado voltada ao setor é a Lei Estadual nº 22.765/2025, que estabeleceu restrições à reconstituição de leite em pó e derivados importados para consumo humano no Paraná. A medida foi criada em meio às dificuldades enfrentadas pela cadeia leiteira e busca proteger a produção estadual diante da concorrência de produtos importados.

Para Luis Corti, as diferentes situações têm um ponto em comum: o produtor precisa de previsibilidade para tomar decisões dentro da propriedade.

“Seja para renegociar uma dívida, conseguir crédito ou saber quanto vai receber pela produção, quem trabalha no campo precisa ter segurança para planejar. O produtor quer trabalhar e produzir. O poder público precisa garantir condições para que ele consiga fazer isso”, destaca o deputado.