Parem de usar a família como palanque enquanto destroem a família na prática

Por Otoni de Paula

Chega de hipocrisia. O Congresso adiou a decisão sobre o fim da escala 6×1 como se estivesse discutindo um detalhe burocrático. Não está. Está decidindo se milhões de brasileiros terão direito a descanso digno ou continuarão vivendo para trabalhar.

E eu digo com todas as letras: quem fala em “defesa da família” mas ignora o impacto brutal dessa jornada na vida real está enganando o povo.

Sou pastor. Sou de direita. E não aceito que reduzam a pauta da família à vida sexual das pessoas. Família não é obsessão por quarto alheio. Família é pai presente. É mãe com saúde. É casal que consegue conviver. É filho que não cresce vendo o cansaço como único retrato do trabalho.

A escala 6×1, na forma como está, adoece. Um dia de folga não recompõe seis dias de desgaste físico e mental. Isso não é bandeira de esquerda ou de direita. É uma questão de saúde pública e de coerência.

Não me venham com a conversa de que patrão e empregado “resolvem entre si”. Não resolvem. Não existe equilíbrio nessa negociação. Parte da elite patronal é predatória e só muda quando a lei impõe limite. Essa é a verdade que muitos não querem dizer.

E há colegas que votam olhando para o Planalto, não para o trabalhador. Se o tema vem do governo, precisam ser contra? Que lógica é essa? Eu não trabalho para governo. Trabalho para o povo. Se a proposta é boa para o trabalhador, tem meu apoio — venha de onde vier.

Também é mentira que garantir melhores condições vai quebrar o Brasil. O que está quebrando o Brasil é a exaustão permanente, a saúde mental destruída e famílias esfaceladas pela ausência.

Defender a família exige coragem para mexer na estrutura que a sufoca. O resto é discurso fácil para plateia conservadora enquanto o trabalhador paga a conta.

Foto: Assessoria

Deixe Seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima