A mobilização de entidades do setor produtivo paranaense para tentar reverter o novo tarifaço dos Estados Unidos expõe uma lacuna que deveria ser ocupada pelo governo federal. Nesta semana, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) participa de audiência pública em Washington, nos dias 6 e 7 de julho, para pedir a retirada de produtos paranaenses da lista de taxação americana. Para o Deputado Federal Stephanes, do PL do Paraná, a ausência de avanços nas negociações internacionais aumenta a insegurança para empresas, investidores e trabalhadores.
Os Estados Unidos anunciaram proposta de aumento de 25% na tarifa de importação sobre produtos brasileiros, com previsão de entrada em vigor a partir de 15 de julho. Segundo a Fiep, a medida pode impactar quase 80% dos produtos industriais paranaenses exportados aos americanos, com destaque para madeira, revestimentos cerâmicos, papel, café instantâneo, mel, filé de tilápia e couro bovino. O governo brasileiro já contestou formalmente a tarifa, e a Fiep contratou escritório especializado em comércio internacional para reforçar a defesa do setor.
“Quem mais sofre com essa instabilidade não é o governo. São os trabalhadores que dependem da atividade econômica para sustentar suas famílias. Quando as exportações perdem espaço no mercado internacional, os reflexos chegam às empresas, aos investimentos e, inevitavelmente, aos empregos”, afirma Stephanes.
Em 2025, o Paraná exportou US$ 1,2 bilhão aos Estados Unidos, terceiro maior mercado do Estado, atrás de China e Argentina, segundo dados do Ipardes. Em maio, a Assembleia Legislativa do Paraná já havia aprovado o PL 430/2026, com medidas de regularização fiscal e auxílio temporário para empresas exportadoras afetadas pelas tarifas. Para Stephanes, falta ao governo federal uma resposta com o mesmo nível de urgência.
Stephanes destaca que o Paraná abriga um parque industrial diversificado, responsável por gerar milhares de postos de trabalho em diferentes regiões do Estado, e que a possibilidade de novas barreiras comerciais exige diálogo permanente e estratégia diplomática capaz de preservar a capacidade competitiva do Brasil.
“Não podemos aceitar que o setor produtivo enfrente sozinho um cenário de insegurança internacional. O governo federal precisa assumir seu papel, fortalecer as negociações e defender os interesses do país com seriedade e responsabilidade. Nossa prioridade deve ser proteger quem produz, quem empreende e quem trabalha”, destaca.

Foto: Assessoria
Titular da Comissão de Finanças e Tributação na Câmara dos Deputados, Stephanes afirma que vai acompanhar os desdobramentos do tarifaço e cobrar do Executivo federal uma atuação diplomática mais firme, capaz de reduzir os impactos sobre as empresas brasileiras e devolver previsibilidade ao setor produtivo.
Deputado Federal Stephanes
