O debate sobre as chamadas canetas emagrecedoras ganhou um novo capítulo no Brasil após a aprovação, pela Anvisa, da primeira versão nacional da semaglutida, substância usada em medicamentos como Ozempic e Wegovy. A expectativa do setor é que a produção nacional ajude a reduzir custos e ampliar o acesso da população ao tratamento.
O tema também reacende discussões sobre saúde pública, acesso a medicamentos e combate ao mercado clandestino, especialmente após o crescimento do contrabando de canetas emagrecedoras na fronteira do Paraná.
Produção nacional pode ajudar a reduzir preços
O novo medicamento aprovado pela Anvisa será fabricado pela farmacêutica brasileira EMS e utiliza o mesmo princípio ativo do Ozempic: a semaglutida. A aprovação aconteceu após o fim da patente do medicamento original no Brasil, abrindo espaço para novos fabricantes nacionais.
A expectativa é que o aumento da concorrência no mercado contribua para a queda gradual dos preços, hoje considerados proibitivos para grande parte da população. Atualmente, tratamentos desse tipo podem ultrapassar R$1 mil por mês.
Para o deputado estadual Paulo Gomes, que atua na pauta de defesa do consumidor no Paraná, ampliar o acesso legal aos medicamentos também é uma forma de combater o mercado ilegal.
“Quando o tratamento é inacessível para a maior parte da população, muitas pessoas acabam recorrendo ao mercado clandestino. Isso abre espaço para contrabando, falsificações e coloca vidas em risco”, afirma.
Quem pode receber pelo SUS?
Apesar da popularização das canetas como ferramenta de emagrecimento estético, os medicamentos possuem indicação clínica importante, principalmente para pacientes com diabetes tipo 2 e casos específicos de obesidade com comorbidades.
Atualmente, medicamentos dessa categoria podem ser utilizados no SUS conforme critérios médicos e protocolos do Ministério da Saúde. A eventual inclusão de novas versões nacionais dependerá de avaliação técnica da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e aprovação do Ministério da Saúde.
Segundo Paulo Gomes, ampliar o acesso seguro é uma medida importante de saúde pública.
“A população precisa ter acesso ao tratamento com segurança, acompanhamento médico e preço justo. O combate ao contrabando também passa por ampliar o acesso legal e regulamentado aos medicamentos”, destaca o parlamentar.

Foto: Assessoria

